Por Monique Dantas
Um dos maiores sucessos da teledramaturgia brasileira completa 25 anos exactamente hoje, dia 24 de junho de 2010. Escrita por Dias Gomes e Aguinaldo Silva, exibida ao longo de 209 capítulos, “Roque Santeiro” teve seu último capítulo exibido em 22 de fevereiro de 1986. Não dá para falar na história do homem que virou “santo” sem citar seu símbolo maior: Porcina da Silva. Essa extraordinária e inesquecível personagem, vivida pela nossa querida Regina, simplesmente tomou conta da novela. A viúva que foi sem nunca ter sido é lembrada até hoje por seus admiradores, reafirmando a consagração de Regina mais ainda como uma das grandes atrizes brasileiras.

A Viúva Porcina era uma novela dentro da novela. Uma vilã, cômica por sinal. Mas, seus trejeitos, suas roupas extravagantes e a maquiagem berrante viraram moda na época. Era uma mulher que não levava desaforo pra casa, tudo o que fazia chamava a atenção, principalmente dos homens da cidade de Asa Branca, encantados com sua exuberância de fogosa viúva. Tinha a seus pés Sinhozinho Malta (Lima Duarte), o grande fazendeiro manda-chuva da cidade. Mas também, o próprio Roque (José Wilker) e Roberto Mathias (Fábio Jr), os quais ela fazia questão de seduzir para o desespero de Sinhozinho. Ela, simplesmente, ganhava todas e, se perdia, dava um jeito de sair lucrando com a situação.

Sua cumplicidade com Sinhozinho Malta rendeu boas gargalhadas ao público como na cena antológica (repetida várias vezes até hoje) em que Sinhozinho, imitando um cachorrinho, lambia a mão de Porcina, a mando dela quando ele não atendia aos seus caprichos. Ele, aliás, é o grande parceiro de Porcina, sua grande alma gêmea. Jamais conseguiram viver um sem o outro. A parceria de Regina e Lima Duarte é a maior de todos os tempos, sendo lembrada em todos os livros e revistas sobre o tema. Os bordões marcantes, como por exemplo, o de Sinhozinho Malta: “Tô certo ou tô errado?” enquanto chacoalhava as pulseiras ou o de Porcina, com a voz escandalosa e estridente, chamando pela empregada: “Miiiiiinaaaaaaaaaaaaaaaaaa!!!!!” são imortais!
“Roque Santeiro” era o retrato do perfil político do Brasil, de forma metafórica e satírica, através de personagens como o prefeito Florindo Abelha (Ary Fontoura), o comerciante Zé das Medalhas (Armando Bógus) e até mesmo o Padre Hipólito (Paulo Gracindo), que armaram a história do falso milagreiro com o propósito de ganhar dinheiro. E Porcina, que virou celebridade na cidade, enriqueceu com a mentira e fingia que sofria quando os romeiros ardorosamente lhe visitavam.


Censurada em 1975, já com alguns capítulos gravados, durante o Regime Militar, a novela voltou a ser produzida em 1985 após a abertura política no Brasil. Houve modificações no elenco, principalmente no papel de Porcina (em 75, o papel era de Betty Faria), passando a ser interpretado brilhantemente por Regina que, de “Namoradinha do Brasil”, passou a “Amante Nacional”.
Considerada a novela de maior sucesso da década de 80 e o último capítulo chegou a bater 100 pontos no Ibope. Dias Gomes começou escrevendo e passou para o co-autor Aguinaldo Silva, que escreveu 111 capítulos. Grandes nomes também se destacaram: Heloisa Mafalda, Lídia Brondi, Yoná Magalhães, Cássia Kiss, Lucinda Lins, entre outros.
Foi a segunda novela de Regina com 100% de audiência, provando assim que Regina Duarte é uma atriz que eleva qualquer Ibope de novela. Com “Roque Santeiro” não foi diferente. Um grande sucesso que jamais será igualado, por ser original, irreverente, bem-humorada e inteligente, ao tratar de forma caricata o cenário brasileiro.
Fontes:
Revista Tv Novelas – Roque Santeiro (edição n°1).
Site Teledramaturgia.
Memória Globo.
Revista Contigo! de 1985